Novamente aqui no Tardes, o desafiador poeta Pedro Muniz Eugenio. De Niterói, cidade irmã, ele dedica seu novo poema a Luciano Huck e Angélica.
ARMA BRANCA
Pedro Muniz Eugenio
Nasceu de costas para cá
Berço de ouro, peruca, terras, fortes,
Hoje, essa geração é dono de resorts
Trabalhadores...
Há quase dois séculos eram doutores
donos de tudo até das almas dos pretos e pretas que eram
Maioria.
Que frustração chegar aqui hoje ainda buscando minha "Carta de Alforria"!
Aqueles que nunca precisaram dela passam na frente do SUS, mesmo sendo só um susto.
Ahhh nós, só resta ver esse caldeirão de vaidades transmitido por todas as mídias
patronais.
Ehhh como escolhi não fazer coro com boçais e chorar por "desastres" banais,
Só me resta lutar até ao final da vida para destruir esses grilhões
Que teimam em ser perpetuados pelos maiorais.
Lembrem disso, a mídia patronal
NUNCA deixará de ser patriarcal
A todos cabe nos rebelarmos contra o silêncio dos acomodados, para que futuramente
Não sejamos NÓS os frustrados e ensanguentados mortos apenas porque não habitamos 200 metros quadrados
Ou passarmos boa parte da vida alienados desejando acumular cédulas ao invés de saúde e felicidade ...
Morrendo como desesperados tentando sobreviver a essa barbaridade
sexta-feira, 12 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Bandeira dos degenerados
A. Nassaralla
(03/junho/15)
Muitas das prostitutas de rua que conheci
tinham bom coração e não eram degeneradas.
Degenerados, sim, os que lhes pagavam o aluguel de cona, carne e músculos.
Muitos soldados foram à guerra porque acreditaram nas mentiras oficiais
e outros ainda, nem sabiam por que estavam lá.
Muitos tinham bom coração;
diferente dos canalhas que insuflaram as guerras em busca de lucro.
Mas não esqueçamos também dos degenerados iluminados,
Cazuzas, Blues Boys, Gregórios Boca do Inferno,
Baudelaires, Rimbauds, Kerouacs, Bucetovicks, Bocages,
anjos decaídos desembarcando strip teases de família
na luta da lua parida no cais de agora:
malditos que se atreveram a surtar
e intimidar o sistema,
na luta da lua parida no cais de agora:
malditos que se atreveram a surtar
e intimidar o sistema,
botar o dedo na cara das leis,
andar nas margens,
perder a conta dos entreveros com os mais recatados costumes pequeno burgueses,
como Gregório de Matos acusando o oportunismo do governador,
a bem dizer, nas suas palavras,
de 'come cus de becos',
na cara lavada, na luz do soneto.
E o que pensar sobre Jesus entre prostitutas, jogadores, escórias, rejeitados e cafetões?
Quem ė santo e quem não ė?
Quem jura em falso e planta o verso azucrinante?
Quem pode alimentar o mundo de mundos regenerados?
Seriam as crianças num mundo livre de famílias - sem pais e mães,
seriam os poetas autodestrutivos,
seriam as madames nas butiques,
seriam os catadores de lixo hospitalar,
seriam os fascistas, os banqueiros
ou, ainda, seria você, são, inserido e integrado nessa loucura chamada século 21?
Vamos: Quem se atreve a arriscar?
quinta-feira, 4 de junho de 2015
TAL QUAL CORDA BAMBA
TAL QUAL CORDA BAMBA
Diego El Khouri (Goiânia - GO)
eu atravesso oceanos
na calda de ninguém
mamute que destroça cimento
nos dentes de marfim no ouro de alguém
eles são fuzis
fezes
sangue coalhado de criancinhas famintas
acolhidas pelo crack
lembro muito bem
aquele inverno de 2004
porres incompletos, beijos frívolos
Rimbaud sobre a mesa
e paredes
muitas paredes
se fechavam cada dia mais
pela masturbação proferida a ti
naquelas madrugadas
de torcicolo brutal
eu agarrando estrelas
numa minúscula cama suja de sêmen e bílis
tal qual corda bamba
cometas em festa comum
ah madrugada!!
o que poderia dar a ti
se de mim roubaste tudo?
lamentaste a sina bandida
que és
levaste tudo embora
inclusive meus crimes
e as dívidas de mercado
para sucatear meus sonhos
que viraram cicatrizes na barriga
e apendicite supurado
são inconfundíveis
os olhos dessa terra
esses meninos nos sinais
a implorar migalhas
que a sociedade atropela
corpos descartados
deixados de lado
minoria nojenta
fede e tritura
qualquer pensamento
de libertação
ah madrugada
dos sonhos impossíveis
trouxeste a quimera que pedi?
quero sexo em ventre e alma
a tentação me veja como alvo
e me beije a face mil olhos
de vulcão, tempestade, estrelas
é tudo a mesma coisa
o mesmo cheiro
pelos, entranhas
língua na língua
descobrir teu corpo
alimentar tua sina
ó madrugada linda
que clareia meus olhos
és amor e paixão
misturadas com fogo e pele
nos marcaram como gado
trataram de espalhar nossas dívidas
nos apunhalaram pelas costas
e rasgaram nosso tratado
vilmente sem repeito algum
a nossa história
madrugada insonsa
covarde
as palmas de minha mão
cobrem orelhas
ajoelhado no centro da cidade
uma chuva torrencial
lava meus cabelos e minha alma
não há motivos para acreditar
no pai nem no estado
me fala a luz dos semáforos
repleta de mentiras e sonhos
não creio em inferno ou pecado
a poesia comportada
muito menos em gêneros comprados
porta voz das portas escancaradas
e venenos tóxicos
eu desafio as regras lambendo feridas
desconexas
do outro lado da moeda (!!!)
(ninguém me ouve ninguém me vê)
assim espero.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Do mirante
A. Nassaralla (26/maio/15)
![]() |
| Foto do local de inspiração |
Domingo já se foi, pois que madrugada.
Os guindastes longos, longínquos desde o mirante
estanques gigantes, descansam seus músculos
que nunca parecem cansados,
dependurados no alto.
As estruturas oblíquas da escuridão
descem junto com a hora.
Gruas lubrificadas e balanças aturam,
auferindo sob a tara de toneladas de silêncio e solitude,
a atividade que vem e vai
em que se sustente
o dia de quem trabalha para escoar e estocar
labirintos de memórias de trocas mercantis,
e estórias de luares que a noite desvenda
desde o começo dos tempos,
desde o começo,
viajantes marítimos no desembarque sedento a pouca de mulheres
que servem de corpo em troca do delírio pago.
Daqui, posto a mirar,
sonho o sonho da transparência
através dos espelhos da distância, esguelhas
o noturno de alma lembrando algo que não é dessa vida,
lembrando que os segredos dos mirantes,
estando a sós ou não,
continuam como segredos
e aí está a sorte de se voar os olhos.
Escrito durante o Corujão da Poesia de terça passada!
segunda-feira, 25 de maio de 2015
OBRIGO-ME A ACREDITAR
A. Nassaralla (19/maio/15)
A música do deus está no mar descabelado
blasfemando pelas últimas gotas
de amarelo, violeta e rouquidão:
sob o púrpura moído e soprado
as luzes fizeram curso de algum norte,
soçobraram leves suspiros d´água,
tremendo tramando o navega noite das correntes.
Passível de todos os amores,
a brisa calosa tenta fazer curvas rentes ao mar:
o incenso marítimo caminha e roça os costados dos navios,
os mangues,
e o azul negro contraparte as luzes fundeadas à boca da baía:
são auras pássaras que nos trazem sonhos de violência
cintilante.
Estou longe,
longe do passado e do futuro
e o dique ao dissabor do abandono noturno,
recebendo aos ombros tiras fatiadas de marolas argutas,
alinhada flutuação à sorte de pequeno vento frio,
faz-me pensar na segurança dos lares
e das crianças que vão receber
planos inteiros sem questioná-los,
e nas poucas outras,
sob força maior de instinto,
como nuvens,
vão nunca atracar,
para sorrir e estraçalhar os sonhos para elas sonhados.
Penso, por hora
que o mar
como um bom pagão
reza canções afogadas,
assassino bem intencionado ao peso das travessias
contra-correntes,
vendo viver luzes costeadas cada vez mais para trás,
e cadenciando a iluminura, lá em terra, estremecida
emoldurada de negro.
Obrigo-me a acreditar que o mundo
pode ser muito mais do que pensar
no próprio umbigo
e lutar na selva da sobrevivência:
– Salvar é um milagre!
Não existe manual para
o árido remar dos contras,
para acreditar nas terras recém lavradas
para acreditar nas terras recém lavradas
e na semeadura das palavras e consciências
como equipamento da liberdade!
É quando – a toque de caixa – a baixa-mar atinge
a substância da hora,
o silêncio surdo como força cartografada
da melhor solidão.
Manejam-se os calados pela baía,
festejados de cracas na segunda linha d´água,
esperando que as âncoras justifiquem o trá-trá-trá
das correntes dando-se a desenrolar
e tudo o mais que se fizer para vida.
Em nada me importa se entra sudoeste ou sul,
só que o instinto é um mal menor na vida.
A nossa morada deve estar em qualquer lugar, por aí, solta no mundo
e o consolo é o amor que abre espadas de quadris envenenados.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
A palavra é uma roupa que a gente veste
Poema trazido a meu conhecimento por Vitor Morais, Poeta-Coruja.
A PALAVRA É UMA ROUPA QUE A GENTE VESTE
(Viviane Mosé - E você?/Toda Palavra)
Uns gostam de palavras curtas.
Outros usam em excesso.
Existem os que jogam palavras fora.
Pior são os que a usam em desalinho.
Alguns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com pouca peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras você se despe?
(Viviane Mosé - E você?/Toda Palavra)
Uns gostam de palavras curtas.
Outros usam em excesso.
Existem os que jogam palavras fora.
Pior são os que a usam em desalinho.
Alguns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com pouca peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras você se despe?
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Melissa vestida de azul e branco
Conheci o poeta Planchêz no sarau Corujão da Poesia (RJ) há uns 5 anos. De lá pra cá
desenvolvemos muitas conversas interessantes, muitas descobertas.
Edu também tem a banda Blake Rimbaud em que seus poemas são musicados em belos rocks, com pesadas guitarras e bateria.
Deixo vocês com um dos seus poemas que mais gosto!
MELISSA VESTIDA DE AZUL E BRANCO
Edu Planchêz
Magnífico faiscar de metais em colisão,
magnífica ordem floral movendo-se sob a batuta
do pólen em direção ao máximo do máximo
da humilde montanha
É isso que vejo ao abrir os olhos
no centro da sala,
no coração da Torre do Tesouro
O grande círculo
formado por nossos corpos
une palavras-sons,
abelhas e vespas,
o corte das nuvens prateadas
ao perfume do incenso
Ergam-se pedras de cores variadas,
ergam-se rajadas de mel,
borboleta-bruxas, aranhas brancas
Melissa vestida de azul e branco
conta nos dedos as pintas
deixadas pelas noites delirantes
Blog do poeta Edu Planchêz
magnífica ordem floral movendo-se sob a batuta
do pólen em direção ao máximo do máximo
da humilde montanha
É isso que vejo ao abrir os olhos
no centro da sala,
no coração da Torre do Tesouro
O grande círculo
formado por nossos corpos
une palavras-sons,
abelhas e vespas,
o corte das nuvens prateadas
ao perfume do incenso
Ergam-se pedras de cores variadas,
ergam-se rajadas de mel,
borboleta-bruxas, aranhas brancas
Melissa vestida de azul e branco
conta nos dedos as pintas
deixadas pelas noites delirantes
Blog do poeta Edu Planchêz
Assinar:
Postagens (Atom)



